A volta da voz

quinta-feira, maio 07, 2026


Acordei com vontade de sair escrevendo poesias.
Pegar um dicionário Aurélio
e sair folheando e escrevendo,
usando todas aquelas palavras
que descrevem coisas,
sentimentos e sensações,
enquanto mergulho dentro de mim mesma
pra entender de quais preciso.

E quando pular a linha. 

Comecei a escrever tão cedo que
meus primeiros poemas foram sobre coisas que
eu nunca nem tinha vivido
Amores que eu nunca cheguei a amar
Lugares que eu nunca cheguei a ir

Depois de um tempo
eu comecei a viajar tanto que
parei de escrever.

Amei um amor que me deixou sem palavras
me acostumei com o silêncio.

E depois que ele se foi, 
É Claro Que Eu
comecei a GRITAR

E sinto que tudo que tenho agora são
palavras 
e um vazio

que parece tão cheio pelas manhãs que
me escorre pelos olhos.

Sobretudo, 
estou feliz com o nosso reencontro:
as palavras da língua portuguesa
e eu.

Mesmo que
a que custo

Estou feliz que pelo menos 
ainda posso mOldar a poesia como eu quiser
e esculpi-lá 
devagar
como uma argila que não seca

Esticar um verso, quebrar outro
e usufruir do meu livre arbítrio para enfim 
escolher 
onde o silêncio vai ficar.

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