Comportamento

Sentir é necessário

sexta-feira, março 02, 2018 | 16 comentários
Foto: We heart it
Jurei que ia te esquecer, mas sem querer, abri sua foto e me conformei que estava morrendo de saudades e que esse não é o primeiro texto que escrevo pra ti depois de jurar te esquecer, porque eu sei que estava mentindo pra mim mesma quando eu dizia que todos aqueles textos estavam sendo criados pela minha imaginação, sem nenhum sentimento real.

Sua falta está me fazendo perder o ar. Fazendo meu coração, aos poucos, parar de bater. E esse era o meu pior medo: me apaixonar por você. Logo por você, que eu conheço melhor que ninguém e logo eu, tão acostumada a deixar as pessoas irem por não querer força-las a ficar e as impedirem que achem alguém que as façam tão feliz quanto um dia eu poderia fazer, sem muito esforço.

Não acredito em alma gêmea, metade da laranja ou coisas do tipo. Acho que no mundo existem milhares de pessoas iguais a mim, que assim como você, faria uma boa dupla comigo por um tempo, ou até mesmo, por toda a vida. Por isso, te deixei ir. Você sabe. Você também percebeu que o nosso pequeno infinito estava chegando ao fim e não havia mais nada que pudéssemos fazer, fim. Por isso, também aceitou e se foi.

Confesso que estou lembrando de nós e com uma vontade imensa de te ligar, mandar uma mensagem dizendo que estou com saudades e me desculpar por isso, por tudo, por coisas que eu sei que não foi minha culpa e muito menos sua, apenas tinha que acontecer. Mas eu não vou fazer isso. Por mais que a saudade aperte e que de alguma forma que eu não sei explicar, doa. Eu não posso te querer se você já está em outra. Acabou. Ponto. Aceite isso.

E eu estou te escrevendo essa carta que nunca será enviada, só para me convencer disso e aceitar que os dias dos nossos dias infinitos chegaram ao fim e que por pior que seja, eu preciso sentir isso. Aceitar que faz parte. Acreditar que daqui a pouco a minha próxima alma gêmea aparecerá e vai ficar tudo bem. Ou talvez, a dor venha como brinde, de novo. Mas tá tudo bem. Vai ficar tudo bem. Sentir é necessário.
Esse texto é apenas uma crônica escrita pela autora do blog, Mari Ferreira.
Comportamento

Amor de quatro dias

sexta-feira, fevereiro 16, 2018 | 31 comentários
Foto: We Heart It
Foi no primeiro dia de Carnaval, naquele bloco que eu nem tinha planejado ir, que nos conhecemos. Eu estava parada na calçada observando as pessoas e com um copo de refrigerante na mão, quando você veio me convidar para dançar. Lembro que você estava super engraçado com aquela fantasia que eu não fazia ideia do que era e que eu disse que estava com vergonha, mas você insistiu e eu acabei aceitando. Eu precisava mesmo perder aquela timidez e marcar aquela noite. E você fez isso, marcou aquela noite. Não só aquela como também as outras três que vieram. E foi maravilhoso.

Dançávamos totalmente fora do ritmo da música, uma dança que parecia já estar ensaiada, como se já nos conhecêssemos a anos. Você ria e eu observava o seu jeito menino, meio homem, aquela sua barba ruiva que parecia te deixar mais velho, o seu olhar que parecia ser tão puro quanto de uma criança e apreciava o seu sotaque engraçado enquanto você cantava aquela música que tocava que eu nunca havia escutado.

Você era encantador, e sem muita cerimônia, eu me encantei.

Pra ser sincera eu não acreditava que amores de Carnaval pudessem realmente existir, ser além daquilo que se passa nos filmes, até você aparecer e me mostrar que a vida é muito mais que filmes. Muito mais que pessoas com um celular na mão e fones nos ouvidos. Mais que juras de amor eterno que não passarão de duas semanas e até mesmo de fidelidade que jamais existirá.

Confesso que por alguns minutos eu passei desejando que os relógios parassem e que você jamais fosse embora, só para fazer do nosso amor, eterno, ou pelo menos, próximo a isso. No início, foi difícil pra mim entender o porquê de você precisar ir, não querer ficar. Pra ser sincera, eu ainda não entendo. Mas quer saber? Nesses quatro dias -que por sinal, foram incríveis-, você me ensinou muitas coisas, e uma delas é que alguns amores não duram para sempre ou, mais que apenas quatro dias.
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Sobre o medo de se entregar

sexta-feira, janeiro 26, 2018 | 18 comentários
Foto: We heart it
Eu não sei muito sobre relacionamentos. Não por não gostar de levar relacionamentos a sério, até porque eu nunca fui muito com a cara dessa "geração tanto faz" e dessa coisa de ficar com um hoje, outro amanhã e um terceiro no próximo dia útil. Mas sim, pelo simples fato de estar envolvida pela bolha do medo da ilusão e do sofrimento.

Desde que me entendo por gente, sempre me atraí muito fácil pelas pessoas, mas também, sempre tive um pouco de preguiça (seria essa a palavra certa?) em fazer com que elas ficassem. Não que eu não fizesse questão delas ou qualquer outra coisa do tipo. Muito pelo contrário: eu não queria que elas se fossem. Mas o meu medo falava mais alto que a vontade de pedir para que ficassem só mais cinco minutinhos. Era isso, medo. Essa é a palavra certa. Eu simplesmente tinha medo de ser destruída igual as pessoas que vi morrendo por amor, enquanto fui crescendo. Medo de não ser recíproco, de mergulhar de cabeça e estiver raso, de não encontrar a intensidade que procuro.

Já perdi muitos amores. Mas não me culpo por isso, apenas penso que não era pra ser. Mas lá no fundo eu sei que parte disso, é minha culpa. É culpa do meu medo de se entregar. Culpa do meu medo de demonstrar, de pedir pra ficar, de convidar pra sair e receber um "hoje não dá" e no final das contas, me sentir uma grande palhaça.

Demorei até perceber que os palhaços são os que não se arriscam, são os que não se entregam. Foi quando eu me senti na necessidade de transbordar, de sentir, independente se a dor também viesse de brinde. Aliás, assim como a felicidade, a tristeza não dura pra sempre.
Comportamento

Eu sei que jurei te esquecer, mas..

segunda-feira, janeiro 15, 2018 | 62 comentários

Ouça enquanto lê:
Só queria saber porque o amor é tão cruel: em alguns muito e em outros, nada.

Como pode ter sido tão fácil para você se lembrar de nós como apenas mais um de seus relacionamentos que não deram certo? Eu não entendo como você consegue abrir o Whatsapp e não esperar uma mensagem minha. E muito menos, como você consegue ouvir todas as músicas da nossa playlist, sem mim. Porque eu, ainda aguardo a sua mensagem, mesmo sabendo que ela nunca chegará. E uma única música já é o suficiente para que meus olhos se encham de lágrimas e eu me sinta como se estivesse morrendo. Perdendo o ar. Me afogando em todas as nossas lembranças, sem ter você para me salvar. Você se tornou a correnteza que me puxa para o fundo e faz com que os meus pulmões se encham de água e ao mesmo tempo, se esvaziem com a quantidade de lágrimas que caem dos meus olhos quando penso em ti.

Eu não sei como você consegue dormir sem os meus cabelos jogados em você e acordar sem me ter ao seu lado, sem o cheiro da minha loção que você tanto amava e sem ouvir a minha voz te acordando com um "bom dia". Não sei como você consegue passar pelas ruas em que costumávamos caminhar pela manhã, sem pensar em mim. Passar em frente a casa que construímos sem quiçá sentir vontade de chamar, pedir pra entrar e tomar um chá bem quente com aquelas torradinhas que faziam parte do nosso café de todas as manhãs.

Me pergunto como você consegue olhar para as nossas fotos no meu Instagram, que eu ainda não tomei a coragem de apaga-lás, e simplesmente não sentir nem se quer saudades. Como você olha para o céu e não se lembra das noites ao meu lado, deitados no jardim, contado as estrelas e imaginando constelações. Das madrugadas barulhentas sentindo o nosso amor queimar, ou até mesmo de quando ficavámos acordados em silêncio apenas sentido a respiração um do outro.
É, você superou. Aceitou que o amor esfriou, pegou a sua jaqueta e saiu pela porta.

Eu sei que jurei não voltar aqui e prometi ficar bem, mas é que eu ainda nem fui embora. Eu ainda estou aqui na sala de estar, tentando acender a chaminé com dois gravetos molhados na esperança de reaquecer o nosso amor, mesmo sabendo que não reacenderá.

E foi por isso que eu te escrevi; eu preciso que me ajude a te esquecer.
Comportamento

O meu acaso mais confuso

sexta-feira, janeiro 05, 2018 | 22 comentários
Foto: We Heart It
Eu sei, eu sou muito confusa. As vezes me bate a saudade e eu sinto que dói saber que te deixei ir por tão pouca coisa. Fico me lembrando que inventei desculpas e as coloquei em uma carta para que me impedisse de voltar para você. Finjo que não sei o que aconteceu entre nós e também finjo que na verdade eu sei de tudo e eu ainda me lembro de cada detalhe e que sinceramente, não me lembro o que aconteceu comigo para esquecer os melhores deles e te deixar ir, ou melhor, te expulsar do lar que construímos com cada momento que sorrimos juntos.

Eu fico me lembrando das madrugadas no telefone, daquele beijo no meio da pista, daquelas apostas de corrida, daquele dia na praia, dos meus áudios de cinco minutos que só você ouvia e finjo que não me lembro o que aconteceu para jogarmos tudo isso fora. Me questiono o porquê de não termos tentado novamente. Vivemos tantos momentos incríveis...

As vezes me culpo pelo fim, mesmo sabendo que nenhum de nós tivemos culpa. Finjo que sabemos exatamente o que aconteceu e que das nossas brigas eu até que gostaria de esquecer, mas dos outros momentos, mesmo que se algum dia eu tivesse Alzheimer, eu ainda sim gostaria que eles continuasse navegando na minha mente tão confusa.

Em outras vezes me lembro das nossas brigas e de como não tínhamos nada a ver, como éramos totalmente opostos desde a escolha do filme até a escolha do jantar e me pergunto como eu pude ter ficado com você, mesmo sabendo que por algum motivo indecifrável do universo, tinha que acontecer. Fico me perguntando como pude me entregar de uma certa maneira, como eu conseguir passar tantos anos ao seu lado e, se eu realmente gostava tanto assim de ti.

Mas em outras vezes, fico como estou agora: confusa sobre tudo o que aconteceu com a gente e me perguntando como depois de tudo, agora nos conhecemos tão pouco.

Acho que essa confusão toda não é só minha, mas simvocê. Você foi o acaso mais confuso que já apareceu na minha vida. O meu acaso mais confuso.